Miami, de cidades das compras a centro cultural

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Brega. Cafona. Fútil. Provinciana. Essas são algumas das palavras usadas para descrever Miami alguns anos atrás. Mas não mais, diz Adriana Sabino, co­fundadora e presidente do Centro Cultural Brasil­USA, que completa 20 anos em 2017. “Quando cheguei em 1984, Miami realmente era uma cidadezinha do sul dos Estados Unidos, onde você não tinha nada para fazer culturalmente. Isso começou a mudar realmente em 2002, a primeira vez que a Art Basel, a maior feira de arte contemporânea do mundo, saiu da Basiléia”, diz a arquiteta carioca. “Ao invés de ir para Nova York, Chicago ou Los Angeles, para surpresa do mundo, escolheu nossa cidadezinha sulista.”

E, nesse momento, Miami começou a se transformar, diz Adriana, que come, bebe e respira arte e cultura no seu dia a dia. Ela acabou de servir dois termos (quase sete anos, tempo máximo) como membro do conselho do Adrienne Arsht Center for the Performing Arts of Miami­Dade County, que abriu em 2006, solidificando ainda mais essa nova identidade de Miami como uma cidade cultural. ”

Poucas cidades no mundo dão a oportunidade de você fazer parte de sua transformação”, diz ela. “Miami, por ser uma cidade muito nova e ter gente do mundo inteiro, de várias culturas, ela permite isso. Você pode fazer parte e colocar sua marca no que está se tornando uma das maiores cidades do mundo. Não é mais compras, não é mais brega. É uma cidade que está se reinventando e se transformando através da arte e cultura.”

Vale a pena conhecer um pouco dessa nova meca cultural na próxima visita. Adriana Sabino recomenda:
1. O Art Basel. “Art Basel mudou Miami”, diz Adriana. Segundo ela, foi o marco, o inicio da transformação. Quando a maior feira de arte contemporânea do mundo chegou a Miami pela primeira vez em 2002, as portas da arte e cultura se abriram aqui. Agora, todo ano em
dezembro a cidade recebe gente de toda parte, de artistas e curadores aos grandes colecionadores de arte. Já se tornou uma tradição em Miami. Este ano, Art Basel está marcado para 1­4 de dezembro.

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2. Com o sucesso de Art Basel, marcando o início de uma nova identidade cultural para Miami, abriu em 2006 o Adriene Arsht Center For the Perfoming Arts of Miami-Dade County . O novo centro de performance está lotado quase diariamente com programação intensa de shows, apresentação de balé, grandes orquestras, espetáculos e
os famosos musicais da Broadway. “O Arsht Center está comemorando 10 anos de existência com o moto, Vibrant @10 (Vibrante nos 10). Foi uma honra para mim fazer parte do conselho”, diz Adriana. “Isso seria impossível numa cidade mais antiga e mais estruturada culturalmente como Nova York, Paris, Londres e São Paulo onde você já tem uma base de gente ligada a esses movimentos culturais. É um privilegio fazer parte dessa mudança de Miami.” O Arsht Center tem cerca de 400 apresentações anualmente, e muitas gratuitas para introduzir cada vez mais arte e cultura para a população local. Se estiver em Miami este fim de semana, não perca “O Fantasma da Ópera”.

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3. . A New World Symphony, dirigida pelo renomado maestro, pianista e compositor Michael Tilson Thomas, é uma das companhias “residentes” do Arsht Center. A “academia” de música e orquestra foi fundada em 1987, com o concerto inaugural em fevereiro do ano seguinte. Recebe alunos do mundo inteiro num programa de “fellowship” de pós graduação, para formação e especialização de novos talentos musicais. Em 2011, o New World Symphony ganhou uma nova casa, o New World Center, com equipamentos de ponta e uma tela de projeção gigante, ao ar livre, para que a população possa assistir ao vivo, de graça, a espetáculos que muitos jamais teriam acesso. O New World Symphony WALLCAST Concerts and Park Events passa também filmes uma vez por semana como parte do programa “SoundScape Cinema Series”. “Dentro dessa ideia de caracterizar Miami como uma cidade das artes, criaram um prédio icônico, um prédio inteligente, que permite que um músico em Londres faça um solo em tempo real com a orquestra aqui”, diz Adriana, que recomenda o “tour” do complexo.

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4. Wynwood Walls.  “Wynwood é outro exemplo de como arte e cultura transforma uma cidade”, diz Adriana. “Era uma área ocupada por armazéns, que foi transformada pela arte e é a área mais quente de Miami agora.” Começou com Wynwood Walls, uma iniciativa do falecido Tony Goldman, que depois de revigorar o SoHo em Nova York, transformou o bairro de Wynwood no distrito das artes. Em 2009, ele inaugurou os “Murais de Wynwood”, com vários artistas urbanos. Os murais mudam todo ano na época da Art Basel, e grafiteiros brasileiros, como Nunca e OS GEMEOS, são alguns dos que deixaram sua marca. Imperdível também se estiver na cidade no segundo sábado do mês é “Wynnwood Art Walk”, quando todas as galerias do distrito abrem as portas das 18h às 22h. As pessoas saem às ruas em massa numa celebração pública da arte.

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5. PAMM – Perez Art Museum Miami . O PAMM é um museu de arte moderna e contemporânea. Abriu em 2013 por Jorge M. Pérez, magnata do mercado imobiliário em Miami, com a visão de criar um museu para exposições internacionais dos séculos 20 e 21. Foi um sucesso imediato, não só pela arte mas pela arquitetura do prédio e a vista. Tem um acervo permanente, inclusive de obras da coleção pessoal de Pérez, e temporárias, como da brasileira Beatriz Milhazes: “Jardim Botânico”, que passou pelo museu no ano passado. Tem tour guiado do museu e da arquitetura do complexo. A entrada é US$ 16. O museu fecha às quartas feiras.

DICA: Além das novas atrações culturais que surgiram em Miami na última década, Adriana também recomenda dois passeios tradicionais imperdíveis:

O Fairchild Tropical Botanic Garden abriu em 1938. Explora a conservação de plantas tropicais, com jardins de espécies típicas da região e outras importadas, e tem também exposições como do escultor Dale Chihuly, especializado em esculturas de vidro. Aberto diariamente, das 7h30 às 16h30h. Entrada US$ 25.

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6. Vizcaya Museums & Gardens se tornou um museu, aberto ao público, em 1953. Era a residência de férias de verão de James Deering, um dos grandes magnatas da indústria americana. A casa foi construída entre 1914 e 1922. A visita “é um passeio pela história de Miami, através da casa de um milionário da época, com os mobiliários originais e fotografias antigas”, diz Adriana. Os jardins são belíssimos, e tem eventos e exposições
de arte, assim como passeios em noite de lua cheia. Tem áudiotour em português. Entrada: US$ 18.

Fonte: Direto de Miami – Estadão

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