Mercado imobiliário de luxo mantém estabilidade no Rio

 

mercado de luxo

Uma casa numa área de 8.500 m² no coração da Barra, com direito a entrada cercada por palmeiras imperiais, ou um apartamento de 109 m² no Humaitá, num exclusivo prédio com apenas 20 unidades? Pode escolher, desde que você tenha muito, mas muito dinheiro, mesmo. O milionário mercado imobiliário de alto padrão no Rio anda apostando suas fichas em bons negócios, apesar dos tempos de vacas magras. Empresários garantem ter conseguido manter certa estabilidade nos negócios, diferentemente do que se vê em outros segmentos.
No quesito mansões, a disputa é acirrada. Recentemente, o portal imobiliário Properati.com.br listou as 20 mais caras da cidade, a partir da sua base com 2.505 anúncios de imóveis à venda. Chegou-se, então, a um seleto grupo de casas cuja média de preço ficou em R$ 17,6 milhões, o que corresponde a cerca de R$ 16.500 por m². Em média, essas unidades possuem uma área total de 1.067 m².

Coincidentemente, as duas mansões mais valorizadas à venda estão no Joá. A primeira delas é anunciada pela fortuna de R$ 38,7 milhões. São 486 m² de área construída e seis quartos, sendo quatro suítes.

— Chamam atenção a master suíte com closet e amplo banheiro, o salão com pé direito duplo e o home cinema com vista para o mar — detalha o consultor imobiliário da Bossa Nova Sotheby’s International Realty, José d’Orey. — Quem viver ali, poderá sentir a brisa constante do mar e viver com sofisticação, conforto e aconchego, além de ter vistas espetaculares para mar, ilhas e montanhas.

A alguns quilômetros dali, bem no coração da Barra, está um oásis imobiliário ou, se preferir, a quinta casa mais cara do Rio, segundo o levantamento. Em uma área de 8.500 m², a propriedade foi erguida na década de 1980 por um empresário apaixonado pela natureza. Em função disso, ele quis um enorme jardim inspirado no Jardim Botânico. O terreno tem uma imponente entrada cercada por palmeiras imperiais, lagos com plantas exóticas e muitas orquídeas e árvores nativas. O preço? Redondos R$ 20 milhões.

MATERIAIS NOBRES

— A casa propriamente dita tem cerca de mil m² de área construída, com quatro suítes, um escritório e várias varandas integradas ao jardim — lista o corretor de imóveis Fernando Brandão. — Com projeto de Claudio Bernardes, também há uma enorme claraboia ao centro e muitos elementos feitos em materiais nobres, como madeira de pinho de riga.

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Sabe aquela expressão “casa de novela”? Aplica-se perfeitamente ao imóvel. Segundo Brandão, devido ao seu tamanho, produtores de audiovisual adoram usar suas instalações em gravações, já que podem capturar diferentes espaços sem se repetir. Há, pelo menos, uma solicitação a cada dois meses. Agora, o empresário espera vendê-la num prazo de um ano.

— O mercado como um todo está bastante retraído, mas o setor de luxo é muito dinâmico. Nosso público é formado por empresários de alto nível e grandes nomes do meio artístico e cultural. E agora, com as altas do euro e do dólar, há alguns fundos imobiliários focados nesse tipo de investimento, principalmente para locação — diz.

Segundo o professor da Fundação Getulio Vargas e especialista em mercado de luxo Cláudio Goldberg, a estabilidade no setor existe por ser um mercado de nicho. E como tal, é algo altamente segmentado e com pouca oferta, enquanto seu público tem muito recurso econômico para consumir.

— Existe uma sustentabilidade no mercado. Embora não haja expectativa de crescimento, ele consegue se manter estável neste momento — diz.

A má notícia, segundo ele, é que o Rio tem dois lados opostos. Por sua vocação turística e característica de ser uma grande metrópole à beira do mar, ele possui um dos metros quadrados naturalmente mais caros do mundo, com muitas áreas nobres. Por outro lado, em termos de piso de riqueza, ele não tem o cenário mais favorável do Brasil.

— O milionário está muito mais em São Paulo do que no Rio. E é difícil ter um investidor de fora, buscando um imóvel na cidade.

IMÓVEIS NOVOS

Mas não é só de mansões cinematográficas que se faz o mercado de alto padrão carioca. Também há imóveis tinindo de novos para quem busca apartamentos. E, neste caso, há quem diga que a cidade é reconhecida pelas boas ofertas.

— O Rio é referência em alto luxo, junto com São Paulo, especialmente na região da orla, onde se encontram os melhores e mais caros imóveis do país — afirma o vice-presidente do Sindicato da Habitação do Rio de Janeiro (Secovi-Rio), Leonardo Schneider.

Especializada neste nicho, a construtora Mozak tem investido em prédios cujo mote é a combinação entre apartamentos amplos em prédios de poucas unidades. Entre os empreendimentos lançados recentemente que foram totalmente vendidos estão Villa Humaitá, no Humaitá, e Cenário, em Botafogo. O primeiro tem apenas 15 unidades de dois e três quartos, com varanda e vista para o Cristo Redentor. Já o segundo oferecia 16 apartamentos e tinha como chamariz o projeto arquitetônico assinado pelo escritório franco-brasileiro Triptyque. O preço médio por unidade era de quase R$ 2 milhões.

— A crise existe, mas a demanda por empreendimentos de até 20 apartamentos de altíssimo padrão continua existindo — afirma o sócio-diretor da construtora, Isaac Elehep. — Até porque, a oferta de terrenos na Zona Sul para empreendimentos como este é baixa. Às vezes, passamos oito anos negociando uma área.

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Ainda que a Zona Sul seja o sonho de consumo de quem tem bala na agulha, a Barra corre por fora. A Mozak convidou o escritório de arquitetura Bernardes Arquitetura para erguer um prédio de apenas 12 unidades em um dos últimos terrenos disponíveis na Praia do Pepê. Para falar só da cereja do bolo, o andar superior será ocupado por duas coberturas duplex com 80m² de dependências cobertas e mais 100m² de terraço, onde haverá uma bancada gourmet e uma piscina. Para desfrutar de uma delas, você só precisa ter R$ 9.655.492,19.

E para não perder espaço no negócio, vale tudo para deixar os compradores satisfeitos .

— Tudo tem que ter esse clima de altíssimo padrão, com carinho máximo, fazendo as vontades do cliente. Recentemente, penduramos até os retratos dos nossos clientes na parede e ajudamos a arrumar os livros na prateleiras — ilustra Eleph.

Fonte: O Globo

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