Voo Livre dos novos Falcons no espaço aéreo brasileiro

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A partir de 2016, a Dassault, fabricante dos jatos de longo alcance mais vendidos no país,  amplia os itinerários intercontinentais sem escala e diminui em 35% o consumo de combustível em relação aos  principais concorrentes pesos-pesados.

A francesa Dassault mantém com o Brasil uma relação comercial desde os anos 1970, quando forneceu os caças Mirage à Força Aérea Brasileira. No ano passado, entretanto, o governo federal preferiu o modelo Rafale, introduzido há uma década na Marinha francesa, pela esquadrilha de 36 Gripens NG, da sueca Saab, a ser entregues a partir de 2018. Se no âmbito militar o voo atravessa uma área de turbulência, na área civil o entendimento entre a centenária fábrica de Saint- Cloud, nos arredores de Paris, e os clientes brasileiros,  que já plaina em céu de brigadeiro, deve se estreitar com os dois Falcons previstos para entrar no  mercado em dois e três anos.

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Com as primeiras entregas programadas para o fim de 2016, o maior deles, o Dassault Falcon 8X, terá autonomia de 11 945 quilômetros, suficiente para voar direto de São Paulo a Los Angeles. O segundo é o 5X, que inova na amplidão da cabine, com 1,98 metro de altura, a mais generosa dos jatos executivos ó e que deverá ser adotada como padrão de projetos em gestação na empresa. O 5X conseguirá um alcance de 9 630 quilômetros (São Paulo- Chicago) e será entregue a partir de 2017. Lançar dois grandes produtos ao mesmo tempo não é usual numa indústria em que os projetos exigem, em média, sete anos para se concretizar. A ousadia está custando cerca de 2 bilhões de dólares à Dassault ó 650 milhões de dólares investidos no 8X, e o restante no 5X ó para brigar por um mercado que deverá movimentar, segundo um estudo da Embraer, aproximadamente 250 bilhões de dólares nos próximos dez anos, com a entrega de 9 200 aviões de uso privado em todo o planeta.

No segmento de jatos de longo alcance, os Dassault Falcons são os mais vendidos no Brasil, deixando para trás concorrentes que se encontram à sua frente no mercado mundial, como o Global 6000, da canadense Bombardier, e os G550 e G650, da americana Gulfstream (a brasileira Embraer, que desponta com os aviões civis pequenos e médios Phenom e Legacy, estuda entrar na briga dos grandalhões, cujo peso mínimo é de 22 700 quilogramas). Dos 776 jatos executivos de uso privado no país ó dos quais menos de 10% têm fôlego para fazer viagens intercontinentais sem reabastecimento, 42 são modelos Dassault, contra treze da rival canadense e dez da marca americana, segundo a Associação Brasileira de Aviação Geral (Abag). O best-seller é o Falcon 7X (51 milhões de dólares, autonomia de 11 020 quilômetros). Há quinze deles aqui. Lançado em 2007, o 7X também é o produto de maior sucesso mundial da companhia francesa, que passou a fabricar aeronaves civis em 1963. Hoje, os aviões executivos representam 70% do faturamento. O 8X aumenta em quase 1 000 quilômetros a autonomia do jatão favorito, por assim dizer, em solo nacional, mas seu alcance continuará inferior ao dos concorrentes ó a Bombardier promete para o mesmo período o Global 7000 (13 520 quilômetros); a Gulfstream vem com uma evolução do G650, o G650ER, em 2015, com capacidade para travessias de 13 890 quilômetros.

Voar mais longe sem escala, no entanto, nem sempre é a principal atração. Há quem prefira, por exemplo, espaço, transformando jatos comerciais como o Airbus A340-300 ó capacidade de 375 passageiros ó em palácios voadores, caso de alguns bilionários russos, chineses e sauditas listados entre os 100 mais ricos do mundo do ranking da revista americana Forbes. Nos Falcons, os benefícios são outros. “Os brasileiros valorizam, sobretudo, duas vantagens competitivas dos nossos jatos: a economia de combustível e a capacidade de operar em pistas mais curtas”, diz o presidente da divisão Falcon da Dassault, Jean Rosanvallon. “Com essa flexibilidade, nossos aviões podem optar por aeroportos menos congestionados e mais próximos do centro das cidades. Isso significa ter acesso à maioria das pistas médias brasileiras e de qualquer outro país.”
Em Londres, por exemplo, um Falcon pode pousar no London City Airport, além de Heathrow. Não se pode dizer o mesmo de pesos-pesados com fôlego até maior: com uma pista de 1 600 metros, comparável às de Congonhas e do Campo do Marte, em São Paulo, o London City é pequeno para a decolagem com tanque cheio dos jatos da Bombardier e da Gulf. O 8X guarda ainda outro trunfo: a economia de combustível. “Ele vai consumir até 35% menos do que os concorrentes”, afirma Rosanvallon. Para um jato que custará 60 milhões de dólares, significa poupar 5 milhões de dólares em seis anos, considerando-se uma média de uso de 600 horas por ano.

Fonte: VEJA SP

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