Apesar dos riscos, cresce busca de brasileiros por imóveis na Flórida

A variação do dólar é o principal problema para quem financia o imóvel ou pretende fazer dele um investimento

A procura de brasileiros por imóveis na Flórida (Estados Unidos) entre janeiro e outubro deste ano foi 30% superior em relação o mesmo período de 2013.

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As informações são da Lello, empresa de administração imobiliária. Segundo a imobiliária, dos negócios fechados neste ano, 60% foram de imóveis na cidade de Orlando, e 40%, em Miami.

“Os imóveis no Brasil estão caros e pessoas querem diversificar seus investimentos. Quem comprou uma casa há dois anos teve bons retornos”, afirma Demétrio Alkessuani, consultor da Lello Internacional.

Segundo Alkessuani, também há muitos brasileiros buscando uma segunda ou terceira residência na Flórida. “No litoral paulista ou carioca, por exemplo, o preço do metro quadrado chega a ser superior”, explica.

O consultor cita um exemplo: um imóvel de 124 metros quadrados, em Orlando, custa US$ 199 mil (aproximadamente R$ 507 mil). Ou seja, um valor de R$ 4 mil por metro quadrado. No Guarujá, no litoral paulista, o metro quadrado custa R$ 4,7 mil.

Alkessuani conta que em Miami, os brasileiros procuram imóveis de luxo de, em média, US$ 500 mil. Já em Orlando, a procura maior é por imóveis padrão de cerca de US$ 200 mil.

“Em Orlando, 80% dos compradores são investidores. Compram a casa, alugam o imóvel durante o ano e o usam apenas nas férias de verão”, explica. Em Miami, o número de investidores sobre para 90%.

A RE/MAX Brasil, rede de franquias imobiliárias, realizou no último fim de semana (29 e 30) um salão imobiliário com oportunidades na Flórida e recebeu quase 4 mil pessoas. Foram realizadas mais de 376 reservas de vendas, no valor total de US$ 131,5 milhões – média de US$ 349,8 mil por comprador. O preço dos imóveis variava entre US$ 180 mil e US$ 200 milhões.

“Os imóveis lá fora estão, em média, 30% mais barato. E mais importante que isso é o amadurecimento de classes sociais que não querem mais um imóvel de segunda ou terceira residência aqui, e estão mudando seu destino”, explica Renato Teixeira, presidente da RE/MAX Brasil.

Segundo Teixeira, não há grande burocraria para concretizar a compra. “É idêntica a nossa. Pedem documentos básicos, como comprovante de residência no Brasil, referências e passaporte.”

O executivo afirma que a tendência é “irreversível”. “Também há investimentos em imóveis em Nova York, Portugal, Espanha e Itália”, conta.

Mas e o dólar?

Em junho deste ano, o dólar teve sua cotação mais baixa desde outubro de 2012: R$ 2,19. Nesta quarta-feira (3), o fechamento foi em R$ 2,55. Segundo os especialistas, ainda que a cotação da moeda esteja mais alta, isso não afugenta os investidores brasileiros.

“Os brasileiros estão maduros com as aquisições, pensando a médio e longo prazo. Vivemos um momento nem tão favorável, mas eles sabem que isso deve estabilizar”, diz Teixeira.

Já Alkessuani diz que, para evitar ficar a mercê da flutuação cambial, grande parte dos investidores compram imóveis à vista. “Antigamente, 50% pagava à vista e 50% financiava. Hoje, quem efetiva a compra costuma pagar à vista, porque as pessoas têm medo de ficar com dívidas fora do pais e dependendo da variação cambial.”

Para Eduardo Coelho Pinto de Almeida, da Consult Imóveis, o investimento é apropriado para investidores menos conservadores. “Aqueles que são conservadores e têm outras opções de investimento podem esperar as coisas ficarem mais estáveis, já que esse é um momento de mudança econômica no País”, explica.

Qquem aposta no setor lá fora, diz Almeida, está apostando em qual será a flutuação futura do dólar. “Existe o risco de adquirir uma dívida e o dólar subir, mas também existe o risco da moeda abaixar e você perder parte do que investiu. Tudo isso é risco.”

Além disso, Almeida afirma que os preços na Flórida não estão mais tão atrativos quanto eram há poucos anos. “Houve uma queda sensível nos preços em 2008 e 2009 por causa da crise, mas hoje eles já estão subindo outra vez”, diz.

Mercado nacional está pouco movimentado

Segundo Almeida, entre os motivos para o interesse de brasileiros em imóveis fora do País estão a desconfiança no atual governo e o desaquecimento do mercado imobiliário nacional.

“O mercado está parado e começando a reagir lentamente. Houve uma subida de preço nos últimos dois anos, um festival de compras e vendas. Não estamos incentivando o aplicador: hoje, se ele compra na planta para vender o imóvel pronto, quase não consegue”, diz o consultor.

Teixeira concorda. “No mercado nacional temos indefinições políticas e incorporadoras se remodulando e buscando novos nichos. Mas não estamos estagnados. Acreditamos que continue assim no próximo ano”, afirma.

Fonte: sindus con

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