Com inauguração prevista para dia 6 de maio, o Shangri-La at The Shard, em Londres, terá diárias de US$ 750 a US$ 32 mil

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Estamos na margem sul do Tâmisa, em Londres, e não dos Himalaias. Ainda assim, a vista não deixa de ser linda. Quando o hotel Shangri-La for aberto nos 18 andares do prédio mais alto da Europa Ocidental, será uma tentativa de trazer acomodações de um estilo asiático para viajantes de negócios em uma capital financeira ocidental.

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O lobby do hotel Shangri-La pode beirar à sobrecarga sensorial, com lustres de cristais tinindo suavemente e tapetes e tapeçarias que retratam imagens que lembram o paraíso descrito no romance “Horizonte Perdido”, publicado por James Hilton em 1933, do qual a cadeia de hotéis baseada na Ásia tirou seu nome. Além disso, há o perfume que é a marca registrada do Shangri-La: uma essência fresca, floral, ao mesmo tempo clean, exótica e reconfortante.

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Esses toques característicos ficarão evidentes quando o Shangri-La de Londres for inaugurado no dia 6 de maio. Em um momento em que vem se firmando na Europa, depois de inaugurar unidades em Istambul e Paris nos últimos anos, o Shangri-La aterrissa em Londres, mas não nas áreas mais abastadas de Kensington ou Hyde Park, já repletas de hotéis cinco estrelas. Em vez disso, o hotel vai ficar no arranha-céu The Shard, perto da Ponte de Londres, tornando-se o primeiro hotel dessa categoria a ser inaugurado em um arranha-céus ao sul do rio Tâmisa – e o primeiro localizado em um edifício desse tipo na cidade.

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O fato de estar no Shard, uma torre projetada pelo arquiteto Renzo Piano, pode vir a ser o maior atrativo do Shangri-La. O prédio, inaugurado em junho passado, tem escritórios em andares que ficam abaixo do hotel e apartamentos em andares acima dele, e, na cobertura, um deck público com vista para a cidade que se tornou uma grande atração turística.

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Situado entre os andares 34 e 52 do edifício de 72 andares, o Shangri-La de Londres tem muitos dos atributos asiáticos da rede de hotéis. Fundada em 1971 em Hong Kong e conhecida em toda a Ásia como a melhor marca local de hotéis de luxo – há mais de 50 unidades só na China continental – muitos de seus hotéis em arranha-céus são valorizados pela localização, nas alturas do agito urbano.

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“No Oriente Médio e na Ásia, estamos acostumados a ter hotéis no topo ou no meio de um edifício, mas esse será o hotel de luxo mais alto da Europa Ocidental”, disse Darren Gearing, gerente geral do hotel, em Londres, durante entrevista em um café recém-inaugurado no piso térreo. “O hóspede entra pelo térreo e segue para um dos dois elevadores, e, 28 segundos depois, está a 125 metros de altura, observando a linha do horizonte da cidade.”

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No ocidente, muitos viajantes de negócios ainda não conhecem o Shangri-La. Suas únicas unidades nas Américas ficam em Vancouver e Toronto. As outras 110 estão espalhadas ao redor do lado asiático do Pacífico e no Oriente Médio, passando por Mongólia, Austrália e Omã. A empresa planeja abrir mais 10 hotéis neste ano, e cerca de 20 outros até 2017 por toda a China e em outros lugares na Ásia, enquanto se expande por países como Gana, Catar e Sri Lanka. “O Shangri-La me lembra a rede Four Seasons quando ela foi criada no Canadá cerca de 30 anos atrás”, disse Stefan Fraenkel, professor de hospitalidade na École Hôtelière de Lausanne, na Suíça.

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No início, ninguém de fora do Canadá conhecia os hotéis Four Seasons, disse Fraenkel. “Como empresa norte-americana, tinha uma cara bem ocidental, já que se concentrava na Europa e na América do Norte”, disse ele. “Hoje, no caso do Shangri-La, as características são orientais.” De todo modo, as duas marcas têm algo em comum: o fato de que são bastante focadas em atender cada pessoa de modo marcadamente individual. “O Shangri-La tem algo do mesmo DNA, pois procura se posicionar em algo que o setor hoteleiro chama de ‘experiência’. Mas é mais uma experiência asiática.”

Por dentro do hotel

O hotel de Londres será coroado pelo Gong, o maior bar em Londres, no 52º andar, concebido pelo designer de interiores de Hong Kong André Fu. No mesmo andar ficará uma piscina, também a mais alta da cidade, e uma academia aberta 24 horas. Não haverá spa, por conta das limitações de espaço. O Ting, único restaurante do hotel, vai servir três refeições por dia. O salão T, com vista para a Catedral de Saint Paul e para o oeste de Londres, servirá pratos asiáticos em um ambiente de bar. O hotel londrino será um dos poucos Shangri-La do mundo a não ter um restaurante chinês, mais uma vez por causa da falta de espaço, disse Gearing. Mas haverá disponibilidade de comida asiática de muitos tipos por meio do serviço de quarto. “Se alguém chegar de Cingapura e quiser um prato de sopa wonton à meia-noite, vai encontrar”, disse Gearing.

Os tamanhos dos quartos vão variar de aproximadamente 30 m² a 188 m²; os banheiros, em mármore, terão piso aquecido e espelhos com telas de televisão integradas. As tarifas dos quartos padrão custarão a partir de 450 libras, ou cerca de US$ 750, por noite, sem café da manhã. A suíte Shangri-La, no 39º andar, com vista de 180 graus da cidade, chega a 19 mil libras – cerca de US$ 32 mil – por noite. Todos os serviços para profissionais de negócios – incluindo opções de videoconferência e três salas de conferências – ficarão disponíveis 24 horas, assim como pelo menos um funcionário fluente em mandarim, além de inúmeras outras línguas faladas pela equipe de 300 pessoas.

A presença no mercado de Londres é essencial para o Shangri-La, uma vez que 10% dos seus clientes em todo o mundo são britânicos. A expectativa da empresa é de que os viajantes corporativos sejam responsáveis por 40% de seus clientes no estabelecimento inglês. “Como se trata de Londres, sabemos que o mercado de lazer será forte, porque os nossos hóspedes podem ir andando até a Torre de Londres, o Tate Modern e o teatro Globe de Shakespeare”, disse Gearing.

Os serviços habituais do Shangri-La estarão à disposição: uma xícara de chá de boas-vindas, mordomo nas 17 suítes do hotel, acesso Wi-Fi em todos os quartos. Além disso, há a fragrância sempre presente nos hotéis da rede – a essência canalizada pelo sistema de ventilação é engarrafada e vendida no site da empresa e em suas lojas de presentes. A empresa a descreve como uma mistura de baunilha, sândalo, almíscar, bergamota e chá temperado com gengibre. É a fragrância que recebe os hóspedes do Shangri-La quando eles retornam ao hotel das ruas úmidas e quentes de Bangkok ou, na nova filial, da garoa e das multidões de Londres. Ou das avenidas de Paris. Em um recente dia ensolarado de abril na capital francesa, os toques asiáticos do Shangri-La figuravam em meio às áreas comuns tranquilas do antigo palácio do príncipe imperial francês Roland Bonaparte, sobrinho-neto de Napoleão.

“O que sempre me conquista no Shangri-La é o tamanho dos quartos e os pequenos toques asiáticos que não encontramos em nenhum outro lugar”, disse Ary Didit Kurniawan, morador de Jacarta, na Indonésia, e antigo cliente, que estava visitando a unidade de Paris pela terceira vez. “O cheiro é o mesmo onde quer que a gente vá, ele é relaxante e um pouco exótico”, disse Kurniawan. “Nenhuma outra rede de hotéis na qual me hospedo traz essa sensação de conforto tão naturalmente.”

 

Fonte: IG Luxo – Por The New York Times , por David Belcher

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