Ilhas da Grande Barreira de Corais, Austrália: somente nos últimos três anos, quatro das mais icônicas ilhas foram vendidas por um total de 25 milhões de dólares australianos

Ilhas da Grande Barreira de Corais, Austrália: somente nos últimos três anos, quatro das mais icônicas ilhas foram vendidas por um total de 25 milhões de dólares australianos

Sidney – O bilionário William Han se coloca em uma posição elevada na popa do Silver Fox II, sua lancha de 20 metros, enquanto atravessa o caleidoscópico mundo maravilhoso dos corais que é a Grande Barreira de Coral da Austrália.

Em 1954, nestas prístinas águas tropicais, a Rainha Isabel II, então com 27 anos, e seu consorte, o príncipe Felipe, fugiram dos deveres oficiais para nadar e pescar peixes-espada durante uma turnê mundial de seis meses depois da coroação.

Sessenta anos depois, o grande promontório isolado onde Vossas Majestades brincaram faz parte do reino de Han, informará a Bloomberg Pursuits na sua edição do segundo trimestre de 2014. “Bem-vindos à minha ilha!” diz ele, pulando em um píer de madeira que leva a uma costa arenosa, franqueada por palmeiras.

Após pagar 12 milhões de dólares australianos (US$ 10,9 milhões) pela adorável Lindeman em 2012, o empreendedor sino-australiano planeja gastar mais de 200 milhões de dólares australianos para construir um resort de luxo na ilha de oito quilômetros quadrados, e manter um local isolado de alto nível para seu próprio retiro de férias.

“Quando você vê a Grande Barreira de Coral pela primeira vez, ela tira seu fôlego”, diz em um inglês alegremente fragmentado. “Comprar Lindeman foi uma pechincha. Demorei dez minutos para me decidir”.

Quão boa foi essa pechincha é uma fonte de debate dentro do mundo fechado das vendas de ilhas privadas. Embora a Grande Barreira de Coral seja famosa por ser um dos lugares mais bonitos e preciosos do planeta, possui uma história perigosa.

Nos últimos 80 anos, investidores investiram bilhões em resorts aqui, e depois descobriram que o recife pode ser tão traiçoeiro para eles quanto o foi em 1770 para o explorador britânico James Cook, cujo navio HMS Endeavour encalhou em um local chamado apropriadamente por ele de Cape Tribulation (“Cabo dos Tormentos”).

Ilhas icônicas

Somente nos últimos três anos, quatro das mais icônicas ilhas da Grande Barreira de Coral, incluindo Lindeman, foram vendidas por um total de 25 milhões de dólares australianos: uma fração das suas cotações anteriores. Hoje, os agentes imobiliários mais proeminentes especializados em ilhas privadas estão divididos quanto à questão de se o mercado da Grande Barreira de Coral finalmente chegou ao fundo do poço.

Essas propriedades foram vendidas por centavos, e veremos uma recuperação”, diz Chris Krolow, CEO da Private Islands, com sede em Toronto. Esta visão não é compartilhada por Farhad Vladi, fundador da Vladi Private Islands GmbH, com sede em Hamburgo, que diz que as vendas na Grande Barreira de Coral refletem uma tendência global decrescente, como evidencia a venda feita por um dos fundadores da Microsoft, Paul Allen, de sua ilha no estado de Washington em dezembro por US$ 8 milhões, um terço do seu preço de venda original.

“No passado, o mercado foi inflado artificialmente por agentes imobiliários ambiciosos e compradores excessivamente românticos”, diz Vladi. “Somente agora, quando estamos observando vendas forçadas, o verdadeiro valor se revela. Eu acho que os preços continuarão caindo”.

Maravilha natural

Se há um lugar onde um empreendedor inteligente poderia conseguir ganhar dinheiro e ao mesmo tempo realizar o sonho idílico de ter uma ilha, esse lugar deveria ser aqui, na principal maravilha natural da Austrália. Com uma extensão de 2.300 quilômetros ao longo do litoral nordeste do país, este labirinto de 3.500 bancos de areia, atóis e ilhas continentais franqueadas por corais costuma ser descrito como a maior estrutura viva da Terra.

Para um frequentador assíduo, um investimento de 500 milhões de dólares australianos em um ponto de 7,4 quilômetros quadrados chamado Hamilton Island, no arquipélago de Whitsunday, perto de Lindeman, cumpriu suas mais loucas fantasias insulares.

O bilionário vinicultor australiano Robert Oatley, 85, não apenas construiu o que possivelmente seja o resort mais exclusivo da Austrália – um retiro ultra discreto que custa 1.500 dólares australianos por noite e possui 60 pavilhões, chamado Qualia –, mas também desenvolveu o prodigamente mobiliado Clube de Iate da Ilha de Hamilton, que em outubro teve sucesso na sua oferta para ser o desafiador oficial do Oracle Team USA, de Larry Ellison, na próxima Taça América.

Para muitos outros investidores, no entanto, a música das ondas batendo contra corais acabou virando o canto das sereias: seus sonhos encalharam por uma combinação desastrosa de ciclones, banqueiros desapiedados, despesas exorbitantes, excesso de capitalização, a alta do dólar australiano e a concorrência de locais de resorts na região Ásia-Pacífico como Bali, Fiji e Phuket.

A Mãe Natureza foi particularmente inclemente. Desde 1858, a região foi atingida por mais de 200 tufões, segundo a Secretaria Australiana de Meteorologia. A ocasião mais recente foi em 2011, quando o ciclone Yasi, uma das piores tempestades na história da Austrália, devastou resorts e propriedades privadas no seu caminho.

Os investidores na Grande Barreira de Coral também têm que lutar contra o que os australianos chamam às vezes de “tirania da distância”. A Austrália tem o tamanho da parte continental dos EUA, e o próprio recife, se fosse transplantando ao litoral norte-americano do Pacífico, se estenderia de Vancouver até a fronteira mexicana.

Contudo, o mercado doméstico de turismo, que ainda é a principal fonte de visitantes para estes lugares, vem de uma população total de apenas 23 milhões de pessoas. Além disso, a distância entre a Austrália e os principais mercados externos fez com que o país só recebesse 6,4 milhões de visitantes internacionais durante o ano finalizado em setembro, frente aos 80 milhões de turistas na França.

Han – um magnata robusto que fez sua fortuna por si mesmo e que, durante a Revolução Cultural na China, trabalhou em uma comuna agrária por 8 yuans (US$ 1,32) por mês – diz ter confiança em que superará os desafios. Ele e seus dois irmãos são donos do White Horse Group, a maior agência de outdoors publicitários da China, com sede em Guangzhou, e de uma operadora de canais televisivos de golfe e de compras que são transmitidos em todo o país mais populoso do mundo.

Armado com esses recursos de marketing, Han acredita que poderá atrair os ricos da China das suas cidades estressadas e poluídas para a prístina Lindeman, onde três quartos da terra são um parque nacional designado pelo governo. Ele já produziu um plano mestre para um resort de 400 unidades, descrito por ele como de seis estrelas.

“Em Pequim e em Xangai, as pessoas trabalham entre 15 e 17 horas por dia”, diz ele. “Agora, elas poderão fugir do barulho e da poluição e vir até aqui por cinco dias ou uma semana para recarregar as energias. Não haverá karaokês barulhentos aqui. Somente o céu azul, o oceano azul e uma sensação de luxo”.

Em 2003, Oatley e seu filho Sandy, após vender seu negócio vinicultor familiar por 1,5 bilhões de dólares australianos, visitaram Hamilton para participar de uma corrida de iates e souberam que a ilha estava no mercado. Os Oatley acabaram pagando 188 milhões de dólares australianos antes de investirem mais 300 milhões de dólares australianos para desenvolvê-la com casas mais baixas e de forma mais amigável para o meio ambiente. Além da casa privada de Robert Oatley, a ilha ostenta três resorts e o Qualia, de máxima qualidade, junto com apartamentos e vilas privadas, cujo preço chega a 2,5 milhões de dólares australianos.

Iate clube

A família investiu 80 milhões de dólares australianos na construção do iate clube, que possui um teto de cobre com forma de vela e tem certa semelhança com a Ópera de Sydney. “Meu pai queria poder sentar no seu próprio iate clube, na sua própria ilha, beber seu próprio vinho e olhar seu próprio barco”, diz Sandy enquanto compartilhamos um chardonnay gelado Robert Oatley de 2012 e admiramos da marina à Dent Island, onde a família construiu um campo de golfe projetado por Peter Thomson.

Embora os Oatleys não queiram divulgar o balanço de Hamilton, Sandy diz que a ilha opera com lucros, e seus resorts e marina de 230 ancoradouros têm uma taxa de ocupação média de 75 por cento durante o ano inteiro. Nenhum dos concorrentes da família com quem falei contesta essa afirmação. “Bob Oatley é a única pessoa que ganhou muito dinheiro com as ilhas”, disse Chris Morris, fundador da Computershare Ltd., o maior registro de ações do mundo.

Em relação à Lindeman, Han acredita que possa ser a segunda pessoa a lucrar com o investimento. Caminhamos acompanhados pelo canto dos pássaros e pelas borboletas, da floresta de eucaliptos até o pico do Mount Oldfield, de 240 metros, o ponto mais alto da ilha. À nossa volta, o Mar de Coral cintila com toda sua glória digna de Patrimônio Mundial da Humanidade, nomeado pela Unesco. Abaixo, no nível do mar, um velho resort do Club Med mal pode ser visto entre a vegetação. “Volte em dois anos, e você não reconhecerá o lugar”, diz Han. Em lugares como este, é difícil não ser otimista.

Fonte: Exame – Por William Mellor, da 

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